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https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/4488| Tipo: | Tese |
| Título: | A linguagem gráfica de quem não vê: imagens, diagramas e metáforas |
| Autor(es): | Santos, Marcelo |
| Primeiro Orientador: | Santaella, Lucia |
| Resumo: | Estudos desenvolvidos nos últimos anos demonstram que pessoas portadoras de cegueira ― congênita, inclusive ― conseguem se expressar por meio de desenhos em contorno. Tais desenhos, para espanto de alguns, são bastante similares àqueles realizados por videntes. Mesmo construções tomadas como exclusivamente visuais, a exemplo da perspectiva, podem ser produzidas e entendidas por cegos. Isto acontece porque as linhas são capazes de representar quinas e bordas, descontinuidades espaciais captadas de modo análogo pelos sistemas háptico e visual, e necessárias à percepção de objetos e grupos de objetos. Se cegos e dotados de visão compreendem e representam graficamente o espaço de maneira semelhante, não parece absurdo sugerir que muitos dos princípios tomados como fundadores da comunicação visual sejam, em verdade, oriundos das qualidades espaciais elas mesmas. Baseada nessa premissa, a pesquisa aqui apresentada discute, exatamente, em qual medida tato e visão provêm dados similares ao sistema cognitivo. Perguntamo-nos, ainda, se é possível pensar um modelo de linguagem gráfica acessível, ao mesmo tempo, a videntes e portadores de deficiência visual. Para tanto, inicialmente, fizemos revisão crítica das principais teorias empregadas na explicação do poder comunicativo das figuras. Sobremaneira, aquelas desenvolvidas durante o século XX, a saber: Gestalt, Ecologia, Simbolismo e Semiótica. Diante da constatação de que as citadas abordagens ficaram presas à oposição entre linguagem arbitrária e linguagem natural (priorizando sempre algum destes polos), uma nova disciplina, formulada a partir da filosofia peirceana, foi cunhada. Na segunda parte da pesquisa, cinco sujeitos cegos foram convidados a desenhar um objeto (imagem), um mapa (diagrama) e uma música (metáfora). Então, os deficientes visuais foram munidos de equipamento para produção gráfica. Especialmente fabricada para cegos, a ferramenta auxilia a criação de desenhos em relevo ― acessíveis ao tato, portanto. A análise dos materiais resultantes do citado experimento, por meio do aporte teórico desenvolvido, parece referendar a tese supracitada: ao que chamamos comunicação visual corresponde, em grande medida, propriedades espaciais per se, também perceptíveis através do aparato háptico. O desenvolvimento de linguagem gráfica tátil-visual, interface entre cegos e videntes, é, pois, algo factível |
| Abstract: | Estudos desenvolvidos nos últimos anos demonstram que pessoas portadoras de cegueira ― congênita, inclusive ― conseguem se expressar por meio de desenhos em contorno. Tais desenhos, para espanto de alguns, são bastante similares àqueles realizados por videntes. Mesmo construções tomadas como exclusivamente visuais, a exemplo da perspectiva, podem ser produzidas e entendidas por cegos. Isto acontece porque as linhas são capazes de representar quinas e bordas, descontinuidades espaciais captadas de modo análogo pelos sistemas háptico e visual, e necessárias à percepção de objetos e grupos de objetos. Se cegos e dotados de visão compreendem e representam graficamente o espaço de maneira semelhante, não parece absurdo sugerir que muitos dos princípios tomados como fundadores da comunicação visual sejam, em verdade, oriundos das qualidades espaciais elas mesmas. Baseada nessa premissa, a pesquisa aqui apresentada discute, exatamente, em qual medida tato e visão provêm dados similares ao sistema cognitivo. Perguntamo-nos, ainda, se é possível pensar um modelo de linguagem gráfica acessível, ao mesmo tempo, a videntes e portadores de deficiência visual. Para tanto, inicialmente, fizemos revisão crítica das principais teorias empregadas na explicação do poder comunicativo das figuras. Sobremaneira, aquelas desenvolvidas durante o século XX, a saber: Gestalt, Ecologia, Simbolismo e Semiótica. Diante da constatação de que as citadas abordagens ficaram presas à oposição entre linguagem arbitrária e linguagem natural (priorizando sempre algum destes polos), uma nova disciplina, formulada a partir da filosofia peirceana, foi cunhada. Na segunda parte da pesquisa, cinco sujeitos cegos foram convidados a desenhar um objeto (imagem), um mapa (diagrama) e uma música (metáfora). Então, os deficientes visuais foram munidos de equipamento para produção gráfica. Especialmente fabricada para cegos, a ferramenta auxilia a criação de desenhos em relevo ― acessíveis ao tato, portanto. A análise dos materiais resultantes do citado experimento, por meio do aporte teórico desenvolvido, parece referendar a tese supracitada: ao que chamamos comunicação visual corresponde, em grande medida, propriedades espaciais per se, também perceptíveis através do aparato háptico. O desenvolvimento de linguagem gráfica tátil-visual, interface entre cegos e videntes, é, pois, algo factível |
| Palavras-chave: | Linguagem gráfica Desenho em contorno Cegueira Comunicação visual Comunicação tátil Filosofia peirceana |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::COMUNICACAO |
| Idioma: | por |
| País: | BR |
| Editor: | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo |
| Sigla da Instituição: | PUC-SP |
| metadata.dc.publisher.department: | Comunicação |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica |
| Citação: | Santos, Marcelo. A linguagem gráfica de quem não vê: imagens, diagramas e metáforas. 2012. 156 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Restrito |
| URI: | https://tede2.pucsp.br/handle/handle/4488 |
| Data do documento: | 5-Nov-2012 |
| Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica |
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